Ressacada
O nome faz referência ao fato das terras serem facilmente alagadas pelas águas vindas da morraria ali existente. No local existe uma frequentada bica de água mineral e a municipalidade construiu, no Morro das Arapongas, um dos primeiros reservatórios para suprir parte da necessidade de água potável da cidade de Itajaí.
Por muito tempo o Morro das Arapongas serviu de local de caça para a elite Itajaiense. As terras pertenceram à família Liberato que repassou a Fazenda Engenho a José Gall [Galle], comandante de um dos vapores que atuavam na hidrovia Itajaí-Blumenau. O novo proprietário construiu uma lindíssima casa em 1910, colocando no seu caminho um renque de palmeiras que até hoje enfeitam a avenida defronte ao Fórum Trabalhista de Itajaí.
Por ter as encostas completamente preservadas, os moradores do local gostam de enfatizar que a Ressacada “é o pulmão de Itajaí’. No ano de 1982 foi criado o Parque Municipal da Ressacada, visando a preservação da Floresta Atlântica. Não obstante, boa parte das terras do local sofreram ação de terraplenagem e terraplanagem, dando condições de implantação de grandes loteamentos, entre os quais encontramos: Jardim das Mansões e Jardim das Palmeiras.
No ano de 2001 a comunidade ergueu a capela Santa Teresinha, incluída pela Arquidiocese de Florianópolis na jurisdição da Paróquia São João Bosco. A localidade da Ressacada abriga, desde 2012, a sede do Poder Legislativo de Itajaí. Tem também pista de atletismo mantida pela Prefeitura, seda da seccional da OAB, Secretaria Municipal de Educação e o campus do Instituto Federal de Educação.
Três ruas do Loteamento Palmeira II (1988)
Em 21 de outubro de 1988 o prefeito Arnaldo Schmitt Júnior sancionou três leis seguidas denominando ruas do Loteamento Palmeira II, todas revogadas e consolidadas pela Lei Complementar nº 390, de 2022 (ver Código dos Logradouros de Itajaí):
- Lei nº 2415 – Rua Valdevino Vieira Cordeiro, a rua 08;
- Lei nº 2416 – Rua Adolfo Cugnier, a rua 06;
- Lei nº 2417 – Rua Thadeu Kock, a rua 04, “com início na extremidade das terras pertencente a João Custódio – via contorno Sul“.
Onde fica o loteamento é matéria de aproximação, não de documento. Nenhuma das três leis nomeia bairro. O único indício é o da Lei nº 2417, que amarra a rua 04 à via de contorno Sul – a Avenida Vereador Abrahão João Francisco, que a Lei nº 3359, de 1998, tomaria por limite desta Zona Administrativa. E o acervo registra um Loteamento Jardim Palmeiras II “na localidade de Ressacada”, onde fica o Horto Padre Raulino Reitz, além de arrolar o Jardim das Palmeiras entre os grandes loteamentos abertos aqui depois da terraplenagem. Os nomes não são idênticos – “Palmeira II” nas leis, “Jardim Palmeiras II” e “Jardim das Palmeiras” no acervo – e nenhum documento identifica um com o outro. Fica registrada a compatibilidade, não a identidade. Também não há registro de João Custódio, cujas terras a lei usa como cabeceira.
O homenageado da Lei nº 2415 é um preso político de 1964. Valdevino Vieira Cordeiro era diretor do Sindicato dos Conferentes de Cargas e Descargas do Porto de Itajaí e presidiu a Sociedade Beneficente dos Trabalhadores de Santa Catarina, entidade que em 1962 conveniou com o Estado para administrar o Hospital de Santa Beatriz e que, em 1964, ultimava com a Prefeitura a administração do Mercado do Peixe quando veio o golpe de 31 de março: houve intervenção e prisão do presidente. Ele consta da relação de [presos políticos de Itajaí \[1964 – 1985\]](../presos-politicos-de-itajai-1964-1985) sob o nº 31, “1964, membro do Sindicato dos Conferentes”. Vinte e quatro anos depois, a Câmara e o Executivo dão o seu nome a uma rua. Nenhum ato registra a razão da homenagem, e o sobrenome é o da família fundadora do Bairro Cordeiros, sem que nada nos documentos estabeleça o parentesco.
Dois Cugnier em dezenove dias. A Lei nº 2416 batiza Adolfo Cugnier em 21 de outubro; a Lei nº 2420, de 9 de novembro de 1988, batiza José Cugnier. O acervo registra ainda a Praça Arno Cugnier, criada pela Lei nº 3691, de 2002, no Dom Bosco, e tem por fonte principal dos seus logradouros o *Guia urbano* de José Carlos Cugnier, de 2002. Nenhum documento liga os homônimos entre si.
Demarcação do território
O prefeito Jandir Bellini sancionou a Lei Nº 3359, de 21 de dezembro de 1998, estabelecendo Ressacada como a quinta Zona Administrativa do Município de Itajaí, abrangendo o seguinte território: “Rio Itajaí-Mirim no início da Rua José Gall, seguindo por esta e pela Rua Antônio de Souza Cunha, Avenida Vereador Abrahão João Francisco, por esta até o limite com a fazenda, segue por este até o divisor de águas com Canhanduba, segue pela rua da Caixa d’Água, Rua João Dalmolin, Avenida Abrahão João Francisco, BR-101, Rio Itajaí-Mirim.”
O alargamento das Ruas José Gall e Raimundo Binder (2006)
A 22 de agosto de 2006 o prefeito Volnei José Morastoni assina o Decreto nº 7976, que declara de utilidade pública, “para fins de desapropriação, amigável ou judicial, uma área de terras medindo 93,50 m², integrante de outra maior matriculada sob nº 14.681 nos Livros do Registro de Imóveis do 1º Ofício, de propriedade de Roberto Binder e Renata Binder”. O art. 2º fala no passado: “Referida área foi ocupada pelo alargamento das Ruas José Gall e Raimundo Binder, no Bairro Ressacada.” O fundamento é a alínea “i” do art. 5º do Decreto-Lei nº 3.365, de 1941 (ver obras e desapropriações).
A Rua José Gall é a que abre a demarcação da Zona Administrativa na Lei nº 3359 (acima). A Rua Raimundo Binder foi batizada pela Lei nº 2992, de 17 de outubro de 1995, como “a via pública que tem seu início na Rua José Gall (sem saída), primeira rua à esquerda após o Itamirim Clube de Campo, sentido Br 101, localizada no Bairro Carvalho”, e a Lei nº 3873, de 27 de março de 2003, desafeta “um trecho da Rua José Gall, no Bairro Carvalho”; o decreto de 2006 põe as duas ruas na Ressacada (ver Carvalho). Nenhum dos atos diz parentesco entre os proprietários e o homenageado.
> FONTE: Itajahy – cantos, recantos e encantos – história das comunidades itajaienses. Magru Floriano. Itajaí: Brisa Utópica, 2021. Disponível em magru.com.br. Lei nº 2992, de 17 de outubro de 1995, Lei nº 3873, de 27 de março de 2003, e Decreto nº 7976, de 22 de agosto de 2006, do Município de Itajaí.