Gottlieb Reif
Veio para o Brasil com seus pais aos 4 anos. Canoeiro do Dr. Blumenau no Rio Itajaí. Naturalizou-se brasileiro \[1883\]. Empreiteiro responsável pela abertura e manutenção de diversas estradas na Colônia Doutor Blumenau e adjacências. Integrou, no posto de capitão, a tropa que retomou Desterro para o Governo Federal contra os federalistas \[1883\]. Residiu em Blumenau, Itajaí e Pouso Redondo. Importador da primeira máquina a vapor. Proprietário da Fábrica de Taboinhas no bairro Barra do Rio – adquirida dos herdeiros de Marcos Konder Sênior \[1905\]. A fábrica foi considerada o primeiro estabelecimento industrial da cidade, suprindo com caixinhas os produtores nacionais de charutos e pergumes. Fundou a Hering, Reif & Cia, embrião da Fábrica de Papel Itajaí S/A.
Segundo o levantamento de Magru Floriano em Nossa gente (2026), foi proprietário de canoa de frete aos dezessete anos de idade e comprou do Doutor Blumenau uma serraria desativada em Itoupava Seca. Perdeu todos os seus bens na enchente de 1880 e construiu, em seguida, moinho, serraria e venda na localidade de Ribeirão Fidélis. A máquina a vapor que importou era um ‘locomóvel’ \[1885\]. Migrou para a localidade de Atafona – atual Itoupava Seca – onde instalou serraria mecanizada, fábrica de caixinhas para acondicionar charutos, moinho de milho e engenho de açúcar. Participou da Intendência de Blumenau \[1890\], sendo vice-presidente do Conselho Municipal \[1901\]. Foi sócio fundador da Schuetzengesellschaft Blumenau – atual Tabajara Tênis Clube \[1890\] – e do Clube Geselliger Verein Teutônia – atual Ipiranga \[1893\].
Ganhou a medalha de ouro na Exposição Nacional no Rio de Janeiro e forneceu caixas para as grandes produtoras de charutos na Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, incluindo a renomada Suerdick & Cia. Instalou também estaleiro de grande porte às margens do Rio Itajaí, tendo como carpinteiro de ribeira o afamado João Tabalipa: a primeira embarcação foi uma lancha para transporte de cal e areia pelo Rio Cachoeira – Joinville; a segunda foi a Itoupava, lancha para fretes da Companhia de Navegação Fluvial Itajaí Blumenau; a terceira foi o barco à vela Fidélis, da Asseburg & Cia. Constituiu sociedade com os Hering, Deeke e Richtbieter para a construção de uma fábrica de papel, com o nome inicial de Hering, Reif & Cia \[1912\].
Membro da oposição na eleição municipal \[1906\]. Plantou experimentalmente milhares de mudas de ‘canhamo brasiliensis’ no bairro Barra do Rio, contando com o incentivo da Companhia Nacional de Linho Perini – Rio de Janeiro \[1907\]. Membro da Comissão de Revisão do Alistamento Eleitoral de Itajahy \[1912\]. Relacionado pela Mesa de Rendas de Itajahy como um dos maiores contribuintes da região \[1913/14\]. Perseguido de forma cruel durante a Primeira Grande Guerra por sua origem alemã e por insistir na defesa intransigente dos projetos belicosos de sua terra natal. Apesar de ser capitão da Guarda Nacional e naturalizado brasileiro em 1883, teve sua casa invadida e depredada, e um grande incêndio consumiu, misteriosamente, parte da serraria de sua propriedade na Barra do Rio. Vendeu suas propriedades em Itajaí para João Bauer e transferiu seus empreendimentos para Pouso Redondo.
Nascimento
02 de outubro de 1852
Schwallungen – Grão ducado de Meiningen – Alemanha
Filiação
Johannes August Reif
Christine Elisabeth Reif
Cônjuge
Catharina Wendt
Morte
19 de agosto de 1927
Blumenau/SC
> Encontrado seu nome grafado também como Gotlib e Gottlib.
> Também encontrados registros de sua morte em Pouso Redondo.
> Também encontrados registros de que a tropa que retomou Desterro foi integrada por ele em 1893.
> Também encontrada a região de seu nascimento como Turíngia.
Obra de referência: Revista Paulista de Indústria, n. 26. São Paulo, 1954, ano IV, p. 11; Cadernos de Blumenau, n. 8, tomo XIII, agosto de 1972.