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Rua Hercílio Luz

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A rua seguiu a tendência da cidade de se urbanizar em direção ao Oeste do Marco Zero, a Praça Vidal Ramos. Em um primeiro momento ela fazia a ligação com o Cemitério Municipal e o Palácio Municipal, em seguida, o Cemitério foi transferido para o bairro Fazenda para dar lugar à nova Igreja Matriz. Foi neste momento que a rua recebeu o nome de Rua da Matriz. No ano de 1925 a rua recebeu a denominação oficial de Rua Doutor Hercílio Luz em homenagem ao ex-governador que faleceu no dia 20 de outubro de 1924. Ela sempre foi reconhecida pela população como a rua central de Itajaí. Ali aconteciam todos os grandes eventos cívicos, incluindo as tradicionais marchas estudantis de Sete de Setembro. No século XX recebeu melhoramentos significativos de urbanidade, como: esgoto, água encanada, energia elétrica, calçamento de pedra … No Governo Schmitt, na década de 1980, recebeu uma grande reforma passando a ser reconhecida como ‘Calçadão da Rua Hercílio Luz’. Em 2004 e 2023 recebeu novas intervenções, mas há muito tempo deixou de ter hegemonia sobre o comércio local. O comércio se expandiu por diversos bairros da cidade, notadamente São Vicente \[Rua Stefano José Vanolli\], Cordeiros \[Avenida Reinaldo Schmithausen, Fazenda \[Av. Sete de Setembro\] …

A servidão do lado direito

No mesmo governo que fez do trecho central um calçadão, a rua ganhou um logradouro próprio dentro de si. A Lei nº 2255, de 23 de setembro de 1986, do prefeito Arnaldo Schmitt Júnior, denominou Servidão Henrique Labes “a servidão que inicia ao lado direito da Rua Hercílio Luz, e localiza-se entre o prédio da Relojoaria Labes e o Edifício Dona Dora“. É a única denominação de logradouro de 1986 no centro velho e a terceira servidão que o acervo conhece (ver Código dos Logradouros de Itajaí). A lei não dá extensão, largura nem cabeceiras: localiza a via por dois prédios, o que faz dela um registro involuntário do que havia na quadra naquele ano.

Os dois pontos de referência têm história no acervo. O Edifício Dona Dora foi sede da Associação Atlética Banco do Brasil desde a fundação e abrigou exposições do artista plástico Dide Brandão. A Relojoaria Labes liga a servidão ao próprio homenageado: Henrique Labes morreu em 14 de agosto de 1968, aos 23 anos, em acidente automobilístico em Braço do Norte, e era filho de Alfredo Labes, que o acervo registra como “proprietário de relojoaria e ourivesaria” – a lei situa, portanto, a servidão do filho pela loja atribuída ao pai. Relojoeiro na Rua Hercílio Luz é ofício antigo por ali: por volta de 1915 Oto Labes, vindo da colônia de Luís Alves, passou loja e oficina da Rua Camboriú para esta rua, segundo o memorialista Juventino Linhares, sem que documento algum diga o parentesco entre os Labes. A servidão tinha nome popular anterior – o acervo anota que Henrique Labes “empresta seu nome a servidão no Centro conhecida popularmente por Beco do Labes“. Revogada e consolidada pela Lei Complementar nº 390, de 2022.

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