Centro de Saúde
A população de Itajaí estava muito exposta às pandemias por sua economia estar centrada na atividade portuária. O Porto recebia embarcações nacionais e internacionais, com suas tripulações não recebendo qualquer tipo de fiscalização pelo setor de saúde pública. Um doente que desembarcasse e andasse pela cidade era suficiente para trazer para Itajaí uma epidemia. Por este motivo que foi constituído o serviço de saúde do Porto de Itajaí. Entre os médicos que atuaram nesse serviço encontramos Affonso Homem de Carvalho, Pedro Ferreira e Silva, Norberto Bachmann.
Em 1908 a população de Itajaí foi vitimada pela epidemia da varíola, vinda dos portos de Santos e Rio de Janeiro. Além de uma vacinação precária o Estado providenciou uma casa de recolhimento dos enfermos em terreno na localidade Fazenda \[atrás do atual Cemitério\]. Era o ensaio para a criação em definitivo de um centro de saúde. Depois, em 1918, veio a grande epidemia da ‘gripe espanhola’ pegando novamente a cidade completamente desprevenida. No ano de 1921, por influência direta da Fundação Rockefeller, foi criado o Posto de Profilaxia Rural, instalado no prédio da antiga Escola Alemã de Itajaí, desativada por conta da Primeira Grande Guerra. Esse posto operou até a década de 1920. Na década de 1930 o Governo do Estado de Santa Catarina criou uma rede de postos de saúde, incluindo o Município de Itajaí como sede do Segundo Distrito Sanitário. O Centro de Saúde de Itajaí foi instalado a 26 de março de 1938, na rua Pedro Ferreira \[atual Edifício Genésio Miranda Lins – o Redondão\]. Tinha como médicos e diretores: Gil Stein Ferreira e José Bahia Spínola Bittencourt. Também neste ano foi instalado em Itajaí o IAPTEC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Estivadores e Transportes de Cargas – com dentista, parteira e médicos. No ano de 1940 foi instalado o ‘Posto da Malária’ na localidade de Cabeçudas sob comando de Oswaldo Leal. O Centro de Saúde de Itajaí ganhou nova sede a 27 de janeiro de 1951, localizada na avenida Vasconcelos de Drummond \[atual avenida Marcos Konder\]. A 18 de dezembro de 1954 foi instalado o posto do SAMDU – Serviço de Atendimento Médico Domiciliar e de Urgência. Somente no ano de 1988 foi criada a Secretaria Municipal de Saúde.
O Centro de Saúde e a rede municipal
O Centro de Saúde de Itajaí foi sempre estadual: nasceu da rede de postos que o Governo do Estado montou na década de 1930 e da condição de sede do Segundo Distrito Sanitário. A Prefeitura só passa a operar unidades próprias a partir de 1983, e por três anos o faz sem secretaria e sem fonte de custeio declarada em ato — até que, em 1986, o Decreto Legislativo nº 83, de 13 de fevereiro, e a Lei nº 2232, de 19 de maio, trazem o dinheiro do INAMPS para as Ações Integradas de Saúde no Município. As duas redes só se juntariam pelo Convênio SUDS/SC, a que Itajaí aderira em 1987 — o calendário histórico da saúde pública data a assinatura de 20 de junho de 1988, e a Lei nº 2398, de 1º de setembro de 1988, chama o instrumento de “Termo de Adesão ao Convênio SUDS-SC/87”, cujo primeiro termo aditivo a Câmara ratificou em 28 de junho daquele ano —, e que municipalizou as Unidades Sanitárias da Secretaria de Estado da Saúde. No mesmo 1988 o Município cria o Fundo Municipal de Saúde, em setembro, e a Secretaria Municipal de Saúde, pela Lei nº 2429, de 19 de dezembro: meio século depois de o Estado instalar aqui o seu Centro de Saúde, a saúde pública itajaiense passa a ter dono municipal. Sete meses depois, a Lei nº 2489, de 3 de julho de 1989, autoriza convênio com o Governo do Estado para reformar a Unidade Sanitária Central, na mesma Avenida Marcos Konder onde o Centro de Saúde ganhara sede em 1951 – o acervo não afirma que sejam o mesmo prédio, mas é o mesmo logradouro, quatro décadas depois.
FONTE: D’ÁVILA, Edison. Pequena História de Itajaí. 1ed.rev.ampl. Florianópolis: IHGSC, 2018.