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Incêndio do Navio Petrobras Norte

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Foto do incêndio do navio Petrobras NorteAo cair da tarde do dia 02 de fevereiro do ano de 1965 a população de Itajaí teve sua rotina interrompida pelo incêndio em um navio de gás que ameaçava se alastrar por toda a cidade. Diante das informações desencontradas, muitos itajaienses resolveram abandonar tudo e correr com seus familiares para um lugar mais afastado e seguro. Famílias inteiras fugiram para Balneário Camboriú, Camboriú, Brusque, Ilhota e até Florianópolis. Uma boa parcela escolheu Cabeçudas e as partes mais altas da cidade (Morro da Cruz e Morro Cortado) como ponto de refúgio de uma catástrofe que se anunciava.

A pergunta que ficou registrada na consciência coletiva do itajaiense, ao longo de todos esses anos foi uma só: Itajaí realmente correu risco de ser eliminada do mapa pelo fogo? O comandante Aguinaldo Braga conversando nos corredores do Hotel Malburg (onde a tripulação do Petrobras Norte foi hospedada – na Rua Pedro Ferreira, hoje Hotel Valerin), externava sua preocupação com o fato da população não ter permanecido muito tempo longe da área sinistrada. Dizia o comandante, em tom de extrema preocupação: “As pessoas de Itajaí já estão retornando às suas casas, elas não sabem o risco que ainda estão correndo”. O comandante se referia à possibilidade do navio Petrobras Norte explodir ou desatracar, mudando por completo e, de forma repentina, as características do incêndio.

Grande perigo iminente

Enquanto as estruturas do navio estavam suportando o calor produzido pela queima do gás, e considerando que a tendência das chamas era subir, o sinistro tinha tudo para ficar restrito àquela pequena área de Cordeiros, no máximo se alastrando para os tanques da Liquigás e Heliogás. Agora, se o navio não suportasse o calor e explodisse, liberaria toneladas de óleo diesel marítimo que estavam depositadas nos tanques alimentadores de seus motores de propulsão. Este óleo incandescente seria levado pelas águas do Itajaí-açu até a foz, incendiando tudo que encontrasse às suas margens: barcos de pesca, trapiches, grandes madeireiras, residências e até navios atracados no porto de carga geral.

Pior! Muito pior! A menos de quinhentos metros de distância do Petrobras Norte, no terminal da Shell, o navio Petrobras Paraná estava no meio de uma operação de descarga de derivados de petróleo [gasolina e óleo diesel]. Se o óleo do motor do Petrobras Norte chegasse a envolver o Petrobras Paraná, possivelmente este navio também explodiria, aumentando ainda mais o caudal de fogo rio abaixo. A catástrofe seria inevitável, porque a situação ficaria completamente fora de controle, uma vez que nossa guarnição do Corpo de Bombeiros não estava devidamente aparelhada, nem sequer treinada, para atuar nestas condições.

Outro momento de grande tensão naquele início de noite, portanto, foi a retirada do navio “Paraná” do Terminal Marítimo da Shell. Contando com apenas três tripulantes, o comandante tirou o navio do terminal, arriscando sua vida e promovendo uma manobra desesperada, que também poderia ter resultado em um outro grave acidente. Mas, felizmente, o pior não aconteceu.

Resultados

Graças a pronta determinação de alguns profissionais destemidos os terminais ficaram completamente ilesos e o navio Petrobras Norte não explodiu. Melhor ainda, o navio teve vários tanques preservados e só uma parte do gás foi queimada, fato que manteve sua estrutura. O tanque central (número um), por exemplo, ficou intacto, e dois tanques à direita e dois tanques à esquerda também foram preservados ou apenas levemente danificados, perfazendo um total de cinco tanques sem avarias estruturais (não romperam ou explodiram).

O fogo ficou restrito ao centro (tanques dois e três) e parte traseira do navio. Esta situação possibilitou que já no dia seguinte (três de fevereiro), enquanto Odílio Garcia falecia no Hospital Marieta Konder Bornhausen, o comandante Walter Daltro do Amaral e o inspetor de segurança Egydio Mathias entrassem no navio para fechar algumas válvulas de segurança dos tanques, extinguindo por definitivo o fogo.

Dias seguintes

Ainda na quarta-feira, dia três, funcionários especializados conseguiram chegar próximo ao navio, por intermédio de um rebocador, e por volta das 17 horas conseguiram recolher a âncora e levar o Petrobras Norte para a margem oposta do rio, afastando-o por completo dos terminais da Liquigás e Heliogás. Da carga de cerca de 1200 toneladas de gás liquefeito, ainda restavam intactas cerca de 400 toneladas.

No dia 14, um rebocador da Marinha de Guerra do Brasil, o R22, levou o navio para o Rio de Janeiro. Logo depois, a própria Marinha arquivou o processo instaurado junto ao Tribunal Marítimo com o número 5.469, dando o lamentável episódio como definitivamente encerrado. A sorte conspirou a favor da cidade e um grande contingente de pessoas hoje é credor da admiração e do respeito do povo itajaiense.

Herois

O nome de Odílio Garcia, que teve seu drama pessoal acompanhado por todos, na verdade serve como um emblema, como uma referência. O povo admira e agradece a Odílio Garcia, consciente de que seu nome é a síntese dos nomes de muitos outros herois, pessoas que não permitiram que a fatalidade cravasse suas presas mórbidas sobre a cidade de Itajaí e seu povo. Assim, quando agradecemos a Odílio Garcia, agradecemos também a Adolfo Manoel de Freitas, Álvaro Granati, Antonio Domingos da Silva, Edison Vieira da Rosa, Gabriel Muniz Palhano, José Alberto Borba (Seu Saul), José Amauri dos Santos, Norberto Lisenberg, bem como aos anônimos voluntários do Corpo de Bombeiros (Itajaí, Blumenau e Florianópolis), aos tripulantes do Petrobras Norte e Petrobras Paraná, aos funcionários do Hospital Marieta Konder Bornhausen, da Celesc etc.

Causas

Duas causas são apontadas como prováveis: A primeira estabelece que o início do incêndio ocorreu quando a procissão em homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes passou pelo local e um tição de fogo de artifício caiu no navio Petrobras Norte. Uma variação dessa versão fala em relâmpago no lugar de fogo de artifício. A segunda causa estabelece que o navio, ao sofrer com baixa da maré do rio, teria afrouxado suas amarras e se afastado do cais esticando as mangueiras condutoras do gás, fazendo com uma delas rompesse.

Mortos

Faleceram no acidente os tripulantes: Odílio Garcia (bombeador), Jonas Tenório Cavalcante (marinheiro), João de Melo (contra-mestre), Sebastião Wanderley Cordeiro (terceiro-maquinista) e Antonio Alves de Oliveira (chefe de cozinha). Deles, apenas Odílio Garcia tinha família residente em Itajaí.

Onde foi parar o navio

O Petrobras Norte foi rebocado até um cemitério de navios na Baía da Guanabara – Estado do Rio de Janeiro. Foi vendido como sucata e desmontado.

Fonte: Itajaí em Chamas. Magru Floriano. Disponível em: https://magru.com.br/web/wp-content/uploads/2017/10/Itajai_em_chamas.pdf

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