Avenida Sete de Setembro
Esta via pública já recebeu a denominação de rua e avenida. O seu primeiro nome foi Rua das Flores. O primeiro trecho aberto iniciava na Rua da Matriz e chegava até a confluência da Avenida Joca Brandão, também ainda em construção. Com o advento da Proclamação da República, em 1889, a Rua das Flores recebeu o nome oficial de Rua Sete de Setembro. Com a morte do candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, João Pessoa, no dia 26 de julho de 1930, a rua passou a receber o nome de Rua João Pessoa. A rua foi gradualmente sendo aberta em direção à Camboriú, ganhando em importância na malha viária da cidade principalmente, após a transferência do Cemitério Municipal do final da Rua Hercílio Luz para o antigo Campo de ….., No governo Lito Seára \[1956/1961\] a rua chegou ao seu ponto máximo, no início da Rodovia Oswaldo Reis. Contudo, na década de 1970 a rua João Pessoa voltou a ser denominada de Avenida Sete de Setembro, contudo, perdeu o trecho que iniciava na rua Hercílio Luz e terminava na Praça Barão do Rio Branco, defronte ao prédio da Prefeitura \[atualmente área do Porto de Itajaí\], recebendo o nome de Avenida Cônego Tomás Fontes. Ainda por volta do ano de 1975 a via recebeu significativas benfeitorias e passou responder pelo nome de Avenida.
O pátio ferroviário e o parque
O flanco leste do pátio da Estrada de Ferro Santa Catarina corria com 600 metros de frente para esta avenida. Foi essa testada que o Decreto nº 3308, de 22 de agosto de 1985, descreveu ao declarar de utilidade pública, para fins de desapropriação, a “faixa de terras ocupada pela antiga Estrada de Ferro de Santa Catarina como pátio da estação e manobras”, entre as ruas Lages, Arnaldo José de Oliveira, Gregório Chaves e José Copertino Chaves, destinada à implantação da Avenida de Contorno Sul, à conexão com o sistema viário existente e à criação de parques municipais – ver Trem em Itajaí. Dos parques prometidos, o acervo registra na avenida o Parque Municipal Sodegaura, “área de lazer na faixa de terras da antiga Rede Ferroviária Federal S/A”, assim nomeado pela Lei Complementar nº 384, de 16 de dezembro de 2021 (Parques Municipais).
Treze meses depois, o Decreto nº 3512, de 29 de setembro de 1986, volta ao mesmo terreno e o localiza pelas duas ruas que o limitam – “entre as ruas 7 de setembro e Arnaldo José de Oliveira” -, agora com a área fechada em 52.810,35 m² e a propriedade atribuída à Rede Ferroviária Federal S/A, para “a construção do acesso à Avenida Contorno Sul e áreas de lazer”. Em 3 de dezembro daquele ano a Lei nº 2262 trocou a desapropriação pela compra dos mesmos 52.810,35 m² em sessenta meses, pela tabela price. É deste ato de 1986, e não da lei de 2021, que vem o primeiro documento municipal a nomear a RFFSA como dona do pátio (obras e desapropriações de 1986).
A compra foi refeita no ano seguinte. Em 25 de agosto de 1987 a Lei nº 2298 revogou a Lei nº 2262 e reeditou a aquisição dos mesmos 52.810,35 m² em sessenta parcelas mensais com juros de 1% ao mês, pela Tabela Price – com área, vendedor, destinação, valor e condições idênticos aos da lei revogada, sem que o texto diga o que mudou. No mesmo dia, a Lei nº 2299 autorizou transferir à União Federal, a título gratuito, as ações da Rede Ferroviária Federal S/A de que o Município fosse possuidor: Itajaí devolveu de graça sua participação na ferrovia no mesmo dia em que se autorizou a comprar terra dela a prestação (obras e desapropriações de 1987).
Do shopping center ao Centro Administrativo
Três anos depois de comprada, a terra da RFFSA na confluência com a Rua Gregório Chaves muda de destino duas vezes. A Lei nº 2580, de 23 de agosto de 1990, autoriza fazer dação em pagamento de até 19.133,05 m² dali a quem vencesse licitação para construir, no remanescente, um “shopping center” com estacionamento e ajardinamento (ver Patrimônio fundiário do Município, `1990`). O acervo não guarda notícia de que essa licitação tenha ocorrido, e o shopping center não aparece em nenhum outro ato.
Também não foi um shopping center o que se ergueu ali: às vésperas de terminar o ano, a Lei nº 2868, de 2 de dezembro de 1993, autoriza alienar, por licitação, dois imóveis na mesma confluência – a área nº 01, com 6.171,18 m² e 4.151,33 m² de construção, e a área nº 02, com 3.500,00 m² -, descritas como o remanescente do mesmo imóvel comprado à Rede Ferroviária Federal S/A, “onde encontra-se iniciada a construção do Centro Administrativo de Itajaí e respectivo estacionamento”. Dois dias antes da sanção, em 30 de novembro de 1993, Arnaldo Schmitt Júnior já recebera da Câmara a autorização para vender o mesmo Centro Administrativo. A lei destina o produto da venda à pavimentação asfáltica das ruas centrais do Município e reserva recursos, no orçamento de 1994, para a nova sede da Câmara Municipal (ver Patrimônio fundiário do Município, `1993`).
O prédio nunca chegou a funcionar como Centro Administrativo: em 08 de fevereiro de 1994 o governo municipal realiza a concorrência pública para vendê-lo, e a Comércio e Representações Santa Mônica Ltda. é a única proponente; as instalações são inauguradas como Supermercado Santa Mônica em 19 de dezembro de 1994, “nas dependências que deveriam servir de Centro Administrativo da Prefeitura”, no Bairro Fazenda – o mesmo endereço que o acervo registra hoje como Prédio Maurício Reis, atual Supermercado Bistek.