Fundação de Ensino do Pólo Geo-Educacional do Vale do Itajaí
Fundação de ensino instituída por lei do Município de Itajaí, conhecida pela sigla Fepevi, mantenedora das faculdades municipais da cidade a partir de 1970 e origem da Universidade do Vale do Itajaí. Foi criada pela Lei nº 1047, assinada pelo prefeito Júlio César em 11 de novembro de 1970, que transformou nela a AMECCI – Autarquia Municipal de Educação e Cultura da Cidade de Itajaí, instituída dois anos antes pelo prefeito Carlos de Paula Seára e formada pelas faculdades até então administradas pela Sociedade Itajaiense de Ensino Superior. Os estatutos foram aprovados pelo Decreto nº 585, de 11 de janeiro de 1971 – data que uma anotação do calendário registra como 14 de novembro de 1970. A documentação registra o nome também como Fundação de Ensino do Pólo Geoeducacional do Vale do Itajaí, como Fundação de Ensino do Polo Geo-Educacional do Vale do Itajaí e, sem o “de Ensino”, como Fundação do Pólo Geo-Educacional do Vale do Itajaí.
Em 3 de dezembro de 1970, a Lei nº 1058 doou à fundação o terreno, o prédio e o acervo da Biblioteca Central de Itajaí, na Rua João Bauer. Genésio Miranda Lins foi nomeado primeiro presidente em 21 de janeiro de 1971, tomando posse oficial no mesmo dia e posse solene em 25 de janeiro; na data da nomeação designou Mário Juarez de Oliveira diretor geral e, em 29 de janeiro, nomeou o próprio prefeito Júlio César vice-presidente da entidade. Em 7 de dezembro de 1971 a Lei nº 1141 declarou a fundação entidade de utilidade pública municipal.
Já sob a Fepevi vieram os reconhecimentos federais dos dois cursos herdados da autarquia: a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Vale do Itajaí foi reconhecida pelo Decreto nº 69.799, de 15 de dezembro de 1971, publicado no Diário Oficial da União em 17 de dezembro, e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Vale do Itajaí pelo Decreto nº 71.650, de 2 de janeiro de 1973, publicado em 5 de janeiro.
Em 2 de fevereiro de 1973, com a posse do prefeito Frederico Olíndio de Souza, o vice-prefeito Luis Antônio Cechinel foi nomeado presidente; instaurou sindicância sobre a administração anterior, acabou exonerado pelo prefeito e retomou o cargo por mandado de segurança. Em 18 de fevereiro de 1975 o prefeito assinou o Decreto nº 1245 nomeando Abrahão João Francisco presidente em substituição a Cechinel. Em 9 de março de 1977 o prefeito Amilcar Gazaniga assinou o Decreto nº 1604 nomeando o médico Edison Villela, empossado no dia seguinte.
A direção geral passou por Lauro Mussi, nomeado pela Portaria nº 04/73 em 14 de maio de 1973 e empossado em 20 de junho; Aquiles Garcia, que o substituiu em 16 de janeiro de 1974; Álvaro Brandão, nomeado pela Portaria nº 15 em 31 de julho de 1974; e Carlos Cazuma Nosse, interino pela Portaria nº 06, de 17 de julho de 1975, e efetivado pela Portaria nº 08, de 29 de agosto de 1975, data em que Álvaro Brandão pediu para deixar o cargo. Em 1977 a direção geral era ocupada por Mansueto Trés. Na secretaria geral sucederam-se Ary Garcia, a partir de 1º de julho de 1973 – que o assentamento de sua substituição nomeia Aquiles Garcia, o mesmo nome de quem passou à direção geral em janeiro de 1974 -, Moysés Stromer, em 1º de fevereiro de 1974, Rosa Maria Garcia, em 2 de maio de 1974, e Zilda Mees, nomeada pela Portaria nº 04, de 9 de fevereiro de 1976. Em 2 de maio de 1974 a Fepevi participou da fundação, em Blumenau, da Acafe – Associação Catarinense de Fundações Educacionais.
A construção de um campus próprio mobilizou a Comissão Comunitária de Apoio ao Campus Universitário, presidida por Florisvaldo Diniz, que em 12 de maio de 1977 promoveu campanha de arrecadação em rádio, jornal e televisão, com cartazes, adesivos, selos e visitas a empresários, sob slogans como “Ajude a construir o Campus Universitário de Itajaí”. O campus foi erguido com apoio do governo federal em terreno que abrigava a sede do Instituto Nacional do Pinho e inaugurado em outubro de 1978, com a presença do presidente da República Ernesto Geisel, do governador Antônio Carlos Konder Reis, do ministro da Educação Euro Brandão e do prefeito Amilcar Gazaniga. Em 21 de abril de 1981 o governador Jorge Konder Bornhausen inaugurou o asfaltamento do sistema viário interno e, em 1º de março de 1982, foi inaugurado o Bloco A-9.
Em 6 de julho de 1979 foi lançada no campus a pedra fundamental do Teatro Adelaide Konder, projeto do arquiteto Homero Malburg. A verba, obtida por influência do governador Antônio Carlos Konder Reis para um teatro municipal, acabou aplicada dentro do campus, e a casa passou a atender apenas às demandas da instituição – razão pela qual Itajaí só veio a ter Teatro Municipal em 2004.
Além das duas faculdades originais, a fundação passou a manter a Faculdade de Ciências Administrativas, Econômicas e Contábeis do Vale do Itajaí, oficializada como estabelecimento municipal de ensino superior pela Lei nº 1587, de 1º de dezembro de 1977, e a Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia, cuja aula inaugural ocorreu em 4 de agosto de 1980 com o professor José Carlos Prates, da Faculdade Paulista de Medicina, e cuja primeira turma se formou em 14 de junho de 1984. Manteve ainda o CAFI – Colégio de Aplicação da Fepevi, oficializado como estabelecimento municipal de ensino pela Lei nº 1586, de 1º de dezembro de 1977, e fundado em 12 de dezembro do mesmo ano, hoje Colégio de Aplicação da Univali, e o Colégio Wilfredo Marcos Bayer, de segundo grau noturno, que em 28 de fevereiro de 1987 deixou o Colégio Victor Meireles e passou a ocupar a Escola Básica Integrada Pedro Paulo Phillipi, sob direção de Paulo Maes.
A Biblioteca da Fepevi foi considerada de utilidade pública pela Lei nº 1763, de 18 de dezembro de 1979. Em 20 de março de 1980 foi lançada na instituição a revista “Hélade”; em 24 de janeiro de 1981, anunciada a criação do Centro de Documentação e Laboratório de História Oral, dirigido pela professora Joana Maria Pedro Machado; em 1º de setembro de 1982, instalada a Academia de Oratória, órgão de extensão da disciplina de Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, na Rua Pedro Ferreira nº 222. Também em 1982 foi fundado o coral da instituição, regido até 1989 pelo professor Marcelus Sucharski (Corais de Itajaí). Em 31 de maio de 1983, por convênio entre a Fepevi, a Prefeitura e o Lions Club de Itajaí, instalou-se o Ambulatório de Imaruí, campo de estágio do curso de enfermagem. A Fepevi promoveu a FEPART entre 22 e 29 de julho de 1984, montou naquele ano laboratório de processamento de dados e sediou no Teatro Adelaide Konder a I Expoinco – Exposição da Indústria e Comércio de Santa Catarina, de 26 a 30 de maio de 1987, seguida da segunda edição em 24 de maio de 1988. Em 15 de outubro de 1985 a AFUFI – Associação de Funcionários da Fepevi promoveu a I COFAPE – Confraternização Olímpica dos Funcionários Administrativos das Fundações Educacionais de Santa Catarina, com segunda edição em 8 e 9 de novembro de 1986. Em 27 de junho de 1986 o ministro da Educação Jorge Konder Bornhausen visitou a Fepevi trazendo verbas para a construção da Escola Técnica de Pesca e da biblioteca comunitária e, em 4 de outubro, voltou a Itajaí para liberar verba da Biblioteca Central Comunitária na instituição e assinar o edital de licitação da Escola Técnica Federal.
A vida estudantil rendeu jornais próprios: a Folha Universitária, do Diretório Acadêmico Henrique da Silva Fontes, começou a circular em 3 de novembro de 1975, e o Espaço Universitário, do Diretório Acadêmico Cruz e Souza da Faculdade de Filosofia, serviu de base à campanha dos estudantes por eleição direta para presidente da fundação e para diretores das faculdades. A própria instituição passou a editar o Jornal da Fepevi, cujo número zero circulou em agosto de 1984 sob edição de Emerson Pedro Ghislandi, primeiro jornalista contratado pela Fepevi. Em 11 de janeiro de 1986 foi fundada a Associação Atlética Acadêmica, presidida por Luiz Antônio Spinosa.
Em 26 de agosto de 1983 o presidente Cirio Arnoldo Vicente anunciou os dirigentes escolhidos por eleição direta paritária: Delfim Pádua Peixoto Filho na Faculdade de Direito, com Pedro Antônio Severino como vice; Silca Nesita Martins Costa na Faculdade de Administração, com Armando Furlani; e Murilo Chedid dos Santos (grafado Schedid na fonte de 1983) na Faculdade de Filosofia, com José Domingos de Andrade. A eleição direta para a presidência, marcada para 7 de outubro de 1983, foi adiada sine die na véspera. Em 21 de maio de 1985 realizou-se eleição paritária entre Delfim Pádua Peixoto Filho, Edison Villela, Murilo Chedid dos Santos e Maria Bernardete Ramos Flores, vencida por Edison Villela, empossado por Assembleia Geral Extraordinária em 23 de maio.
Em 1986 as faculdades isoladas mantidas pela fundação foram reunidas nas FILCAT – Faculdades Integradas do Litoral Catarinense, e em 3 de março daquele ano o diretor geral das FILCAT, Pedro Antônio Severino, assinou a Portaria nº 007/86 formando a comissão encarregada da carta-consulta e do processo de reconhecimento como universidade, presidida por Rosa de Lourdes Vieira Silva. Em 14 de fevereiro de 1989 o Conselho Federal de Educação aprovou por unanimidade o Parecer nº 175/89 e, em 16 de fevereiro, a Portaria Ministerial nº 051/89, assinada pelo ministro da Educação Carlos Sant’Anna, reconheceu a FILCAT como Universidade do Vale do Itajaí. A instalação oficial da Univali ocorreu em 21 de março de 1989, com o lançamento da pedra fundamental da Capela Universitária pelo arcebispo metropolitano de Florianópolis dom Afonso Niehues. A cronologia detalhada da instituição está reunida em Univali – datas históricas.